Você passa o dia decidindo sobre a vida de outras pessoas. Faz quanto tempo que ninguém pergunta como você está?
Psicoterapia online para médicos, baseada em evidências, com sigilo integral e horários que cabem numa escala real.
20 minutos, sem custo, para entender a sua demanda e avaliar se eu sou o profissional indicado. Se não for, indico alguém.
Antes de qualquer outra coisa: eu não sou médico.
Sou psicólogo clínico. Antes disso, passei quinze anos em grandes multinacionais, parte deles em cargos de liderança.
Digo isso logo no começo por dois motivos.
O primeiro é que você provavelmente já ouviu alguém de fora explicar a sua rotina para você, e sabe exatamente como isso soa. Não é o que vai acontecer aqui.
O segundo é que aquilo que eu conheço por dentro tem sobreposição real com o que você vive: decidir rápido com informação incompleta, sustentar cobrança contínua por anos, responder por consequências que não são só suas, e continuar entregando enquanto o cansaço se acumula sem lugar para ir. As apostas na sua profissão são mais altas — e é justamente por isso que a estrutura fica mais pesada, não mais leve.
Ao longo da prática clínica, foi com médicos que eu desenvolvi a identificação mais profunda. Não porque eu ache que médicos sejam heróis. Nem porque ache que sejam privilegiados. Porque, atrás do jaleco, quase sempre há uma pessoa inteligente, exigente, comprometida — e frequentemente muito sozinha.
Talvez alguma coisa aqui descreva os seus últimos meses
Não é uma lista de sintomas. É uma lista de cenas.
- Você termina o plantão, chega em casa e não consegue desligar — mas também não consegue fazer nada.
- Tem uma decisão sua que você ainda revisa antes de dormir. E ela foi há anos.
- Você olha para a agenda de amanhã e sente algo mais parecido com resignação do que com cansaço.
- Alguém te contou uma coisa grave e você percebeu, depois, que não sentiu quase nada.
- Você sabe exatamente o que diria a um colega na sua situação. E não diz isso a si mesmo.
- As férias acabaram e o cansaço não foi embora com elas.
- Você continua sendo excelente no trabalho. É o resto que foi ficando menor.
- Se mais de duas dessas frases descrevem você, isso não é fraqueza de caráter e não é falta de vocação. É o que acontece com pessoas comprometidas dentro de uma estrutura que consome mais do que devolve.
Por que quem mais sabe pedir ajuda é quem menos pede
Há um mecanismo bem descrito na literatura sobre procura de ajuda psicológica, e ele não tem nada a ver com falta de informação. Chama-se autoestigma: a pessoa internaliza a ideia de que precisar de ajuda diz alguma coisa sobre o valor dela. E é esse passo interno — não a opinião dos outros — que mais pesa na decisão de procurar ou não.
Com quem trabalha com saúde, isso ganha uma camada a mais. Você sabe o nome dos quadros, conhece os critérios, já explicou tudo isso para outras pessoas dezenas de vezes. Justamente por isso, reconhecer aquilo em si mesmo deixa de ser uma informação e passa a ser um veredito.
Some-se a isso o que é específico da sua profissão: o receio do que fica registrado, do que os colegas vão pensar, de como isso repercute numa equipe pequena, num hospital onde todo mundo se conhece, numa especialidade onde todo mundo já ouviu falar de todo mundo.
O resultado é um padrão que eu vejo com frequência: a pessoa adia o próprio cuidado até que ele deixe de ser adiável.
Isso não é um defeito seu. É um mecanismo, ele é bem conhecido, e ele tem saída.
O ciclo que quase nunca é desenhado inteiro
Existe uma pesquisa que acompanhou milhares de médicos ao longo do tempo, e ela encontrou uma coisa que quase nunca se diz em voz alta.
Que estar adoecido aumenta a chance de errar, todo mundo mais ou menos imagina. É a direção que sai na imprensa, e é também a que soa como acusação.
O que quase não se fala é o outro lado: quem erra adoece depois.
E, nos estudos que acompanharam as pessoas ao longo do tempo, os dois efeitos têm tamanho parecido.
Ou seja: não é uma linha reta. É um ciclo.
E repare onde ele se fecha. Depois de um evento adverso, o protocolo é revisado. O processo é revisado. A escala, às vezes, é revisada.
A pessoa não.
Se você ainda revisa aquilo antes de dormir, isso não é sinal de que você se importa de menos. Quem se importa de menos não revisa.
A metade desse ciclo que ninguém cuida é justamente a que decide se vai haver uma próxima.
Quando parar de sentir vira estratégia de sobrevivência
Há um fenômeno que costuma assustar mais do que o cansaço, porque ele parece uma mudança de caráter: a sensação de estar atendendo no automático. De olhar para a pessoa na sua frente e ver um caso.
Isso tem nome. Chama-se despersonalização, e é uma das três dimensões do esgotamento profissional. As outras duas todo mundo reconhece — o cansaço que a folga não resolve e a sensação de que nada do que se faz rende. A terceira quase ninguém sabe nomear.
Ela é o ponto em que a sua cabeça começa a te proteger. Diante de gente demais e de dor demais, ela reduz a pessoa na sua frente a um caso. Não é escolha. É o que sobrou para você conseguir atravessar o dia.
Só que a proteção cobra um preço: junto com o peso, ela filtra o detalhe.
E há uma coisa que vale dizer com clareza. Quem reconhece isso em si mesmo não é quem está indiferente. Indiferente não percebe.
Isso não é falta de vocação. É sobrecarga — e sobrecarga tem literatura, tem instrumento de medida e não se resolve com mais esforço.
O que eu considero o problema real
O inimigo aqui não é o burnout. Não é a ansiedade. Não é a depressão. Esses são sofrimentos, e sofrimento é o que se trata.
O problema real é a cultura que ensina profissionais altamente comprometidos a acreditar que precisam sacrificar os próprios limites, a própria identidade e a própria humanidade para serem excelentes.
Ela aparece como perfeccionismo rígido. Como identidade construída inteiramente sobre desempenho. Como dificuldade de dizer não. Como endurecimento emocional adotado por proteção e depois confundido com personalidade.
Eu não acho que excelência e humanidade sejam forças opostas. Acho o contrário: quanto mais um médico preserva a própria saúde mental, maior tende a ser a capacidade dele de exercer a medicina com presença, clareza e equilíbrio.
Meu trabalho não é mudar a medicina. É cuidar bem de cada médico que confiar em mim.
Como funciona o meu trabalho com médicos
Baseado em evidências, e explicitamente. Minha abordagem principal é a Terapia Cognitivo-Comportamental, integrada a recursos de DBT, MBT, ACT e FAP quando o caso indica. Você vai saber o que estamos fazendo, por que estamos fazendo e o que a literatura sustenta. Esse público costuma aderir melhor quando entende o racional — e eu prefiro trabalhar assim de qualquer forma.
Psicoeducação como parte do tratamento, não como enfeite. Quando alguém entende o próprio funcionamento, a ansiedade diminui e a participação no processo aumenta. Com você, isso funciona ainda melhor, porque o vocabulário já é comum.
Sigilo, tratado com o rigor que o seu contexto exige. Tudo o que é dito em sessão é protegido pelo sigilo profissional previsto no Código de Ética Profissional do Psicólogo. Sessões não são gravadas. Registros clínicos são mantidos em meio seguro. As exceções ao sigilo são estritas, previstas em lei, e eu as explico na primeira sessão. Se o seu receio é o que fica registrado, ou quem pode saber, essa é uma conversa que a gente tem logo — e não uma que você precisa levantar sozinho.
Horário compatível com escala. Atendo 100% online, e a partir do México. Na prática, isso amplia a faixa de horários disponíveis em relação a uma agenda comercial brasileira, o que costuma resolver o problema de encaixar terapia entre plantões, ambulatório e centro cirúrgico. Também atendo médicos brasileiros que moram fora do país.
Encaminhamento quando é o caso. Primum non nocere vale aqui também. Se o seu quadro pedir acompanhamento psiquiátrico simultâneo, outro tipo de serviço ou outro profissional, eu digo — e ajudo a encontrar. Não é papel meu segurar alguém em um processo que não é o indicado.
Sem promessa de resultado. Não prometo felicidade, nem ausência de sofrimento, nem que todas as dificuldades vão desaparecer. Prometo escuta qualificada, ciência, ética, direção clínica e respeito. O resto é trabalho, e é feito a dois.
Para quem este trabalho pode não ser o indicado
Meu trabalho depende de participação ativa e de alguma disponibilidade para pensar entre uma sessão e outra. Não é aconselhamento rápido e não trabalho com fórmulas prontas.
Se você procura alguém para validar a decisão de continuar exatamente como está, provavelmente não sou eu.
E há situações que pedem outro nível de cuidado — atendimento presencial, acompanhamento psiquiátrico, ou serviço de urgência. Nesses casos eu digo isso na primeira conversa.
Se você estiver em risco imediato, este não é o canal adequado. Procure atendimento de emergência ou ligue para o CVV — 188, gratuito, 24 horas.
A primeira conversa
Uma conversa de cerca de 20 minutos, sem custo e sem compromisso.
Você não precisa chegar com o problema organizado, nem saber explicar o que está sentindo, nem justificar por que está procurando agora e não há três anos. Organizar isso é parte do trabalho, não pré-requisito para começar.
Serve para você me contar o que está acontecendo e para eu avaliar honestamente se posso ajudar. Se eu não for o profissional indicado, eu digo e indico alguém.
Aidan Souza — Psicólogo Clínico · CRP 06/166926
Atendimento 100% online, em português · Brasil e exterior
Perguntas frequentes
Você atende médicos de todas as especialidades?
Sim. O que organiza o meu trabalho não é a especialidade, e sim o tipo de exigência: volume de decisão, responsabilidade sobre desfecho, exposição a sofrimento e escala. Isso aparece em contextos muito diferentes.
Atende residentes?
Sim. A residência concentra quase todos os fatores de sobrecarga ao mesmo tempo — carga horária, hierarquia, curva de aprendizado e a primeira exposição real à responsabilidade — e é um período em que o cuidado costuma ser mais adiado.
Como o sigilo funciona no atendimento online?
Do mesmo modo que no presencial, com os mesmos deveres éticos e legais. Sessões não são gravadas, os registros ficam em meio seguro e as exceções ao sigilo são estritas e previstas em lei. Explico todas na primeira sessão.
Você conversa com o meu psiquiatra?
Se você autorizar, sim, e considero isso desejável quando há tratamento medicamentoso em curso. Nada é comunicado sem o seu consentimento explícito.
Preciso estar em burnout para procurar terapia?
Não. A maioria das pessoas que atendo chega antes de qualquer quadro fechado — cansada, funcionando, sem conseguir explicar direito o que mudou. Procurar cedo torna o trabalho mais simples, não menos necessário.
Você atende médicos brasileiros que moram fora do Brasil?
Sim, em português ou espanhol, com horários compatíveis com fusos da Europa, da América do Norte e da América Latina.
Qual a duração do processo?
Não existe número padrão, e desconfie de quem oferecer um. Depende da demanda, da história e dos objetivos, e é revisto em conjunto ao longo do processo — inclusive a decisão de encerrar.
Emite recibo para reembolso?
Sim, conforme as regras da sua operadora.
Referências
Pereira-Lima K, Mata DA, Loureiro SR, Crippa JA, Bolsoni LM, Sen S. Association Between Physician Depressive Symptoms and Medical Errors: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network Open. 2019;2(11):e1916097. doi:10.1001/jamanetworkopen.2019.16097 — Revisão sistemática de 11 estudos com 21.517 médicos. Nos estudos longitudinais, sintomas depressivos associaram-se a erro subsequente (RR 1,62; IC 95% 1,43–1,84) e erro associou-se a sintomas depressivos subsequentes (RR 1,67; IC 95% 1,48–1,87). Os autores descrevem a associação como bidirecional.
Hodkinson A, Zhou A, Johnson J, et al. Associations of physician burnout with career engagement and quality of patient care: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2022;378:e070442. doi:10.1136/bmj-2022-070442 — 170 estudos observacionais, 239.246 médicos. A despersonalização foi a dimensão do burnout com associação mais adversa aos desfechos avaliados.
Vogel DL, Wade NG, Hackler AH. Perceived public stigma and the willingness to seek counseling: the mediating roles of self-stigma and attitudes toward counseling. Journal of Counseling Psychology. 2007;54(1):40–50. — O efeito do estigma público sobre a disposição de procurar ajuda é mediado pelo autoestigma.
Maslach C, Jackson SE. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behaviour. 1981;2(2):99–113. — Estrutura de três dimensões do burnout.
West CP, Dyrbye LN, Erwin PJ, Shanafelt TD. Interventions to prevent and reduce physician burnout: a systematic review and meta-analysis. The Lancet. 2016;388(10057):2272–2281.Organização Mundial da Saúde. CID-11 — burnout classificado como fenômeno ocupacional, não como condição médica.