
Ansiedade
Em quem funciona bem, ela quase nunca aparece como ansiedade.
Muitas pessoas chegam até aqui acostumadas a resolver problemas, sustentar responsabilidades e continuar funcionando independentemente do próprio sofrimento.
Profissionais altamente exigidos. Pessoas responsáveis. Adultos que se acostumaram a seguir em frente mesmo cansados. Externamente continuam produtivos.
Internamente convivem com ansiedade, exaustão, perda de prazer pela vida, dificuldade para desacelerar ou a sensação de que algo importante ficou para trás.
Não porque sejam fracos. Mas porque, em alguns ambientes, cuidar de si passou a exigir um tipo diferente de coragem.
Existe uma cultura que ensina profissionais altamente comprometidos a acreditar que precisam sacrificar os próprios limites, a própria identidade e a própria humanidade para serem excelentes.
Ela aparece como perfeccionismo rígido, como identidade construída inteiramente sobre desempenho, como dificuldade de dizer não, como endurecimento emocional adotado por proteção.
Excelência e humanidade não são forças opostas. Meu trabalho é ajudar a recuperar a segunda sem abrir mão da primeira.
Antecipação constante, hiperalerta, dificuldade de descansar mesmo quando há tempo para isso.
Cansaço que o fim de semana não resolve e as férias não revertem.
Carregar o peso das decisões, das pessoas e das consequências sem lugar para colocar isso.
Continuar entregando, sem sentir nada ao entregar.
Cobrança, exposição, relações difíceis, medo de fracasso, transições de carreira.
A sensação de estar funcionando sem estar vivendo.
Às vezes aparece como cansaço, irritabilidade, perda de interesse ou sensação constante de pressão.
Minha prática é baseada principalmente na Terapia Cognitivo-Comportamental, integrada a recursos complementares baseados em evidências — DBT, ACT e FAP — quando o caso indica. A escolha da técnica segue o caso, não a preferência do terapeuta.
Técnica sem vínculo perde potência. Por isso dedico tempo à construção de uma relação terapêutica segura e consistente — porque é ela que dá espaço para que o resto funcione.
Utilizo psicoeducação e explicações acessíveis para que cada pessoa compreenda o próprio funcionamento. Quando alguém entende o que está acontecendo consigo, a ansiedade diminui e a participação no processo aumenta.
Nem tudo que parece ajudar realmente ajuda. Quando um caso pede outro tipo de cuidado, ou outro profissional, eu digo — e encaminho.
Passei quinze anos em grandes multinacionais, incluindo cargos de liderança e gestão, antes de me tornar psicólogo. Conheço por dentro o ambiente que costuma adoecer as pessoas que atendo: a cobrança, a exposição, a exigência de decidir rápido com informação incompleta e o custo de sustentar isso por anos.
Não é empatia teórica. É reconhecimento.